Descubra como utilizar, da forma correta, todo o potencial das plantas e ervas medicinais

Descubra como utilizar, da forma correta, todo o potencial das plantas e ervas medicinais

Do chazinho da vovó até os consultórios da rede pública de saúde, ervas e plantas com princípios ativos desenvolvem um papel fundamental no auxílio ao combate de várias doenças.

Hoje em dia, temos pelo menos 71 delas já introduzidas no SUS. Mas, assim como outros medicamentos, é preciso ter orientação ao consumir, sabendo a procedência e principalmente as contraindicações de cada planta e erva.

Há um tesouro em nossa natureza, que quanto mais se procura mais se descobre. A ciência investe em estudos de plantas e ervas medicinais valorizadas na atenção primária da saúde, e, como exemplo disso, em 2009 o Sistema Único de Saúde (SUS), publicou a relação nacional de plantas nativas e exóticas que apresentam notável potencial terapêutico.

A Zedoária combate a má digestão, úlcera, gastrite e mau hálito de origem
digestiva, além de outras tantas propriedades. Foto: Artur Bezerra

Com o constante aumento no consumo de remédios da rede pública do município de Rancho Queimado, no interior de Santa Catarina, a então enfermeira Noeli Pinheiro, enxergou a oportunidade de aplicar seus conhecimentos sobre plantas e ervas medicinais, resgatando assim os saberes antigos que auxiliavam e continuam auxiliando no combate à várias doenças.

Desde então, Dona Noeli trilhou um longo caminho de pesquisa e produção contínua, se tornando referência no setor. Sua dedicação no plantio de espécies raras de maneira orgânica, para serem consumidas in natura, como farinhas, ou em forma de suplementos encapsulados de extratos vegetais 100% orgânicos, insere ainda mais o Sítio Flora Bioativas no mercado de saúde e bem estar.

Noeli Pinheiro com farinha do Tupinambor. A planta que
tem flores parecidas com as do girassol, é rica
em inulina, vitaminas e minerais, principalmente ferro, fósforo,
potássio, niacina e tiamina. Além de
outras propriedades. Foto: Arquivo Flora Bioativas

As plantas e ervas medicinais com comprovação científica para uso como medicamentos, podem ser consumidas de diferentes formas:

  • Em pó, através de cápsulas;
  • Em preparos de receitas, por infusão, que é o processo de derramar a água fervente sobre a planta acondicionada em um recipiente;
  • Por decocção, ou seja, pelo cozimento;
    • Dicas: 
      • Nessas duas ultimas maneiras recomenda- se a ingestão em no máximo 8 horas após o preparo;
      • Os princípios ativos são muito voláteis. Mantenha tampado o recipiente e coloque o vapor condensado de volta na xícara. 
  • Por infusão fria ou maceração, opção a qual a planta não perde os princípios ativos;
  • Por cataplasma, onde se aplica a planta no local inflamado ou da dor;
  • Por compressa, usando a gaze umedecida com a infusão; 
  • Por preparo de xarope, em banhos e em gargarejos.

Todas essas formas de aplicabilidade, são receitas da sabedoria popular que aos poucos as pesquisas vão comprovando a eficácia.

A promoção desses métodos levou a Farmácia Municipal de Campinas, em São Paulo, a editar uma cartilha, ensinando como usar as plantas medicinais em benefício da saúde. 

A erva-baleeira é uma das plantas catalogadas pelo SUS. Tem ação
principalmente no tratamento de artrite, reumatismo e dores musculares. Foto: Almeri Cezino

O resultado esperado no auxílio à saúde através dos medicamentos feitos de plantas medicinais, requer bastante atenção e cuidados. A professora de Farmácia da Universidade do Vale do Itajaí, Noemia Liege Bernardo, adverte que é preciso utilizar a quantidade adequada da planta para o tratamento do problema desejado, além da quantidade a ser utilizada, é necessário identificar quantas vezes ao dia é preciso tomar, por quanto tempo deve-se utilizar e como preparar.

A professora, que é mestre em Farmácia, ressalta ainda que as plantas podem ser utilizadas como alimento, como tempero ou in natura para chá ou até mesmo moída em cápsulas, o que pode facilitar a ingestão da quantidade certa por dia, necessária ao tratamento.

“Sempre gosto de uma reflexão que é importante para quando você escolhe tratar algum problema de saúde ou prevenir com algum tipo de medicamento, seja por exemplo com ervas e plantas medicinais. É preciso recorrer a orientação de um profissional para saber exatamente como você vai administrar.

É necessário ter atenção também a quais desses produtos podem ser vendidos sem receita, e quais precisam ter a receita. Remédios feitos a partir de plantas medicinais, podem ter venda livre ou podem ser marcados com uma tarja vermelha, o que podem ser utilizados somente com prescrição, pois pode existir o risco de interagir com outros medicamentos e acontecer alguma reação adversa”.

Completa a professora, reforçando os cuidados à saúde.

A professora Noemia Liege Bernardo é mestre em Farmácia e professora do curso de Farmácia da Univali. Foto: arquivo pessoal

Outro fator extremamente importante é o solo. Plantas e ervas cultivadas num solo rico e livre de agrotóxicos, oferecem um potencial muito maior de nutrientes, que se tornam capazes de produzir efeitos com mais eficácia de forma mais eficiente durante o tratamento.

*Acesso a cartilha da Farmácia Municipal de Campinas https://bityli.com/wFp52

*Ouça nosso Bioativas Podcast com a professora Noemia Liege Bernardo

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